segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Cooperação UE / Moçambique

Comércio & Investimento


1. Comércio Externo

Segundo as estatísticas produzidas pela Comext 2003 (declarações da UE), as exportações da UE para Moçambique totalizaram €204 milhões em 2003 (uma variação de -35,1% em relação ao ano anterior), ao passo que as importações da UE desta origem foram de €582 milhões no mesmo ano (uma variação de -0,1% em relação ao ano anterior), colocando a balança comercial para o período num excedente de €378 milhões a favor de Moçambique.

Segundo dados de 2002 do FMI, as exportações totais de Moçambique para o mundo foram de €721 milhões em 2002 (uma variação de -20.0% em relação ao ano anterior) e as suas importações no mesmo período foram de €1,340 milhões (uma variação de 23,6% em relação ao ano anterior), colocando o saldo final de 2002 num défice comercial de €619. Moçambique exporta o equivalente a €40 per capita e importa o equivalente a €74 per capita.

Segundo dados de 2002 do FMI, as exportações moçambicanas são principalmente dirigidas à UE (61% do total das exportações em 2002), África do Sul (18%) e Zimbabué (6%). As suas importações têm origem principalmente na África do Sul (30% do total das importações em 2002), na UE (12%) e nos EUA (5%).

Segundo os números da UE (Comext 2003), as principais importações da UE a partir de Moçambique, em 2003, foram alumínio (80,5% do total das exportações em 2003), crustáceos (10,0%), tabaco (3,5%), algodão (2,0%) e granito (1,0%). As principais exportações da UE para Moçambique em 2003 foram mais diversificadas e incluíram secretárias e consolas (5,3%) trigo e mistura de trigo e centeio (5,2%) livros (3,3%) transformadores eléctricos (3,1%) e turbinas hidráulicas (2,7%).

Para mais detalhes relacionados com estes dados visite o Portal de Internet da Direcção-Geral do Comércio, em:

http://europa.eu.int/comm/trade/issues/bilateral/regions/acp/stats.htm


2. Investimento Estrangeiro

Segundo as estatísticas do Banco de Moçambique (o banco central), a evolução histórica do influxo e stock de Investimento Directo Estrangeiro em Moçambique tem sido a seguinte:

Informação sobre o Fluxo de Investimento Directo Estrangeiro (USD mio)

Descrição das Rubricas Anual
97
Anual
98
Anual
99
Anual
00
Anual
01
Anual
02
Anual
03
Real Real Real Real Real Real Real
IED 64.4 234.9 381.7 139.2 255.4 347.6 336.7
Grandes Proj 0.0 179.5 329.7 0.0 192.0 191.3 197.7
Outros 64.4 55.4 52.0 139.2 63.4 156.3 139.0
Compilação: BM/DEE


3. Regime Comercial

Moçambique tem um tratamento comercial preferencial da UE, ao abrigo da iniciativa Tudo Excepto Armas. Em Fevereiro de 2001, o Conselho adoptou o chamado «Regulamento Tudo Excepto Armas» (Regulamento (CE) 416/2001), concedendo isenção de direitos aduaneiros à importação de todos os produtos dos países menos avançados sem quaisquer restrições quantitativas, com excepção de armas e munições. De momento, são 49 os países em desenvolvimento – e Moçambique é um deles – que pertencem à categoria dos PMA.

Só não foram totalmente liberalizadas de imediato as importações de banana, arroz e açúcar. Os direitos sobre estes produtos serão gradualmente reduzidos até ao acesso livre até Janeiro de 2006 para a banana, Julho de 2009 para o açúcar, e Setembro de 2009 para o arroz. Entretanto, serão concedidos contingentes pautais com direito nulo para o arroz e o açúcar (ver o último regulamento sobre quotas do açúcar, N.º 1381/2002, e quotas do arroz, 1401/2002, na lista de legislação).

Para saber mais sobre a iniciativa Tudo Excepto Armas visite:
http://europa.eu.int/comm/trade/issues/global/gsp/eba/index_en.htm


4. Negociações Comerciais

Os países ACP e a União Europeia têm uma relação longa e preferencial, hoje governada pelo Acordo de Parceria ACP-UE, assinado em Cotonu em 23 de Junho de 2000, e celebrado para um período de 20 anos. A cooperação económica e comercial é primariamente concebida como instrumento de cooperação para o desenvolvimento. O quadro jurídico actual para o comércio é um instrumento de desenvolvimento.

As negociações do Acordo de Parceria Europeu (APE) são um meio para promover a integração gradual dos países ACP na economia global. A negociação formal do APÉ a nível de todos os países ACP começou em Setembro de 2002. A partir de Outubro de 2003 foram lançadas negociações regionais com algumas das seis regiões ACP: (1) África Central, em Outubro de 2003; (2) África Ocidental, também em Outubro de 2003; (3) alguns países da África Oriental e Austral (APE), em Fevereiro de 2004; (4) Caraíbas, em Abril de 2004; (5) sete membros da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (sendo Moçambique um dos países participantes), em Julho de 2004; e (6) com o Pacífico, em Setembro de 2004.

Foram acordados roteiros para as negociações dos seis APE que detalham a organização e a estrutura de negociação bilateral, as questões prioritárias e o calendário provisório das negociações, com vista à entrada em vigor dos APE a 1 de Janeiro de 2008. Em todos estes documentos, a questão dos objectivos da integração e agenda regional e a sua integração no processo APE foi definida como a primeira prioridade das discussões técnicas. As discussões técnicas estão agora em curso com as seis regiões ACP, com vista a tornar os APE instrumentos de integração regional e desenvolvimento.

Durante a primeira fase das negociações ACP-UE a todos os níveis ambos os lados acordaram que os APE necessitavam de ser acompanhados das medidas apropriadas de apoio ao desenvolvimento, para permitir aos países ACP e às regiões majorar os benefícios que deverão sobrevir dos APE. É por isso que foram criados Grupos de Acção (Task Forces) Regionais Preparatórios CE-ACP (RPTF). Estes deverão promover a interligação e a complementaridade entre as estratégias de desenvolvimento apoiadas pela UE e a cooperação económica e comercial, de modo a fazer com estas se reforcem mutuamente.

Os países que decidiram negociar um APE com a Comunidade Europeia ao abrigo da configuração da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) são Angola, Botsuana, Lesoto, Moçambique, Namíbia, Suazilândia e Tanzânia. A África do Sul participará num observatório e na qualidade de apoiante.

As negociações SADC/CE-APE foram formalmente lançadas a 8 de Julho de 2004 em Windhoek, Namíbia. Na ocasião foi adoptado um Roteiro Conjunto que delineia os objectivos e os princípios, a estrutura e a sequenciação das negociações, e que dispõe sobre a criação dos RPTF. Teve também lugar uma primeira sessão de negociações a nível ministerial, durante a qual o lado da SADC colocou marcadamente a tónica na necessidade de simplificar as regras de origem e de assegurar que as medidas EC SPS não tenham um impacto negativo nas exportações da SADC. A CE destacou a necessidade de racionalizar a rede regional de acordo comerciais sobrepostos e reiterou a sua disponibilidade para ajudar a região nos seus próprios esforços de integração regional.

O período entre Julho e Dezembro de 2004 será utilizado para a definição de prioridades e preparativos, com negociações substantivas a terem lugar entre Janeiro de 2005 e Junho de 2007. Estas negociações incidirão no acesso da agricultura aos mercados, nos produtos não agrícolas e pescas, comércio de serviços, cooperação para o desenvolvimento, e outras questões e disposições legais relacionadas com o comércio. Procurarão reforçar a integração da SADC nestas três áreas e, ao longo do tempo, definir uma relação comercial recíproca entre a SADC e a CE. A última etapa das negociações será a finalização do acordo, que deverá ser assinado em Dezembro de 2007 e entrar em vigor a 1 de Janeiro de 2008.

Foi organizado em Bruxelas um seminário de orientação para os negociadores da SADC no final de Setembro, e as conversações técnicas em curso permitirão aos Altos Funcionários negociadores da SADC e CE acordarem, em Dezembro de 2004, sobre um conjunto de áreas prioritárias para as negociações e sobre os termos de referência do Grupo de Acção Regional Preparatório.

Para saber mais sobre as negociações APE visite:


http://europa.eu.int/comm/trade/issues/bilateral/regions/acp/epas.htm



5. Quadro Integrado
O Quadro Integrado (QI) é um processo que foi criado para apoiar os governos dos Países Menos Avançados (PMA) em capacitação comercial e na integração das matérias comerciais nas estratégias gerais nacionais de desenvolvimento.
O QI é uma iniciativa internacional através da qual o FMI, CNUCED, PNUD, Banco Mundial e OMC combinam os seus esforços com os dos países menos avançados e doadores para responder às necessidades de desenvolvimento do comércio dos PMA. Esta abordagem integrada foi lançada em Outubro de 1997 na Reunião de Alto Nível sobre o Desenvolvimento do Comércio nos PMA, organizada pela OMC no reconhecimento das limitações do lado da oferta com que se deparam os PMA.
Moçambique encontra-se actualmente em processo de candidatura ao QI, após a apresentação do Estudo Diagnóstico de Integração Comercial ao Comité de Direcção do QI.
Para saber mais sobre a iniciativa QI visite:
http://www.wto.org/english/tratop_e/devel_e/teccop_e/if_e.htm

Para saber mais sobre o Estudo Diagnóstico de Integração Comercial em Moçambique visite:

http://www.tcb-project.com


6. PICAT

O novo Sistema de Comércio Multilateral que emergiu da Ronda do Uruguai sobre acordos comerciais coloca desafios substanciais, mas pode abrir novas perspectivas para o comércio dos países africanos. O PICAT – Programa Integrado Conjunto de Assistência Técnica – mobiliza a competência e apoio da Organização Mundial do Comércio (OMC), da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (CNUCED) e do Centro do Comércio Internacional (CCI), para ajudar os países africanos parceiros a beneficiarem do novo Sistema Multilateral de Comércio. O PICAT é o primeiro programa que as três organizações criaram para conjuntamente oferecerem um vasto leque de contributos seleccionados de assistência técnica simultaneamente a diversos países, incidindo principalmente sobre capacitação.

Numa primeira etapa, participam no PICAT oito países: Benim, Burkina-Faso, Costa do Marfim, Gana, Quénia, Tunísia, Uganda e a República Unida da Tanzânia. Quatro são PMA. Foi acrescentado um grupo de oito novos países: Botsuana, Camarões, Malawi, Mali, Mauritânia, Moçambique, Senegal e Zâmbia. São treze os doadores que contribuem para o financiamento do programa que, presentemente, monta a US$10 milhões.

Para saber mais sobre o Programa Integrado Conjunto de Assistência Técnica visite:
http://www.jitap.org/

Fonte: http://www.delmoz.ec.europa.eu/pt/eu_e_mocambique/trade.htm

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