terça-feira, 30 de setembro de 2008

Crise Económica Mundial

Crise financeira mundial 2008-09-30 00:05

Bancos à beira do colapso provocam pânico nas bolsas


Contra todas as expectativas, o plano anti-crise americano não passou no Congresso. Apesar de as negociações entre democratas e republicanos, que se arrastaram durante mais de uma semana, terem servido para alterar substancialmente o plano inicial, introduzindo mais mecanismos de controlo, o Congresso americano acabou mesmo por chumbar a compra de activos “tóxicos” por parte do Estado, naquela que seria a maior intervenção nos mercados desde a Grande Depressão de 1929.

A reacção dos mercados foi rápida. O S&P 500 afundou 8,78%, naquela que foi a maior queda desde Outubro de 1987. O Dow Jones caiu 6,98% e o Nasdaq afundou 9,14%. O pessimismo alastrou-se também para fora dos Estados Unidos e, no Brasil, a queda de 10% obrigou mesmo à interrupção da negociação.

O impacto nos mercados bolsistas foi especialmente visível porque desde a semana passada que os investidores negociavam antecipando a aprovação do plano. As expectativas incorporavam o “efeito 700 mil milhões”, o que ajudou as bolsas a ganharem algum ânimo – um ânimo que agora voltou a desaparecer.

Mas não foi apenas aos investidores que o resultado final da votação do plano – 228 votos contra e 205 votos a favor – espantou. Os principais responsáveis políticos aguardavam já a aprovação, conforme o Presidente George Bush havia garantido. A quase-certeza foi empolada pelas declarações de republicanos e democratas, que, ao longo da semana, deram a entender que os dois lados convergiam na necessidade de apoiar a titubeante economia americana.

Também no mundo político norte-americano, as reacções foram de consternação. O presidente Geoge W. Bush mostrou-se “decepcionado com a votação do Congresso, e até Barack Obama reconheceu que será “complicado” salvar o plano Paulson. Ainda assim, o democrata falou de “optimismo”, para pedir aos mercados que “mantenham a calma”. A provável última oportunidade para salvar o plano está marcada para quinta-feira, data da próxima reunião da Câmara dos Representantes.

A versão chumbada ontem incluía as principais alterações negociadas entre democratas e republicanos. O projecto previa que os 700 mil milhões de dólares fossem libertados em tranches sucessivas, e que as ajudas financeiras estivessem subordinadas à entrega de acções por parte dos bancos apoiados. As medidas, duas das mais importantes, introduziam uma série de salvaguardas, permitindo ao Governo proteger melhor o dinheiro dos contribuintes. Harry Reid, senador democrata, disse mesmo: “Eles queriam um cheque em branco e nós não podíamos dar um”.


O papel de Paulson na gestão da crise
Em Julho de 2008, em plena crise do ‘subprime’, Henry Paulson explicava que a situação não era complicada, que o sistema bancário era “seguro” e que os reguladores estavam atentos. Da confiança ao pânico foi um passo: dois meses mais tarde, o secretário do Tesouro tornava-se o maior promotor do plano anti-crise governamental, isto já depois de ter patrocinado a nacionalização das empresas de crédito hipotecário Fennie Mae e Freddie Mac e da seguradora AIG. O pragmatismo ditou a opção: Paulson, firme defensor dos mercados livres e antigo gestor da Goldman Sachs, esqueceu momentaneamente Adam Smith e recuperou Keynes, usando fundos públicos para voltar a pôr ordem nos mercados financeiros. A decisão não foi fácil e obrigou-o a assumir a responsabilidade de apoiar algumas instituições, como o Bear Sterns – ‘too big to fall’, defendeu – e deixar cair outras, como a Lehman Brothers. Por agora, o balanço permanece incerto, até porque o chumbo do pacote anti-crise representa um duro golpe para o secretário do Tesouro; mas seria ingenuidade presumir que este antigo praticante de luta livre e futebol atirará a toalha ao chão sem luta.


As alternativas ao Plano Paulson

1 - Intervir junto dos bancos falidos
Em alternativa ao Plano Paulson que consistia em investir 700 mil milhões de dólares para comprar os activos tóxicos (derivados de acções e crédito) das instituições financeiras norte-americanas, duas coisas podem acontecer: ou criar um novo plano mais ambicioso ou o Governo dos EUA passa a gerir, caso a caso, os problemas e falências, como acontece na Europa, ajudando os bancos ou dando garantias para fusões.

2 - O fim do ‘mark-to-market’ dos activos
O secretário de Estado do Tesouro já disse que vai “usar todas as ferramentas que estiverem ao seu alcance para salvar os mercados”. Ora uma das reinvindicações dos bancos americanos, e que tem fortes adeptos na Europa, é que a SEC suspenda a regra contabilística do ‘mark-to-market’ dos activos no balanço. A obrigação de actualizar o valor dos activos ao valor em bolsa está a arrastar os bancos para a falência.

3 - Congelar a execução das hipotecas
Algumas instituições financeiras pedem também o congelamento da execução das hipotecas no crédito imobiliário em incumprimento, como forma de estancar a expansão da crise. Nos Estados Unidos, ao contrário do que acontece na Europa, o incumprimento das prestações do crédito leva à execução quase imediata da hipoteca, ficando assim a dívida do cliente saldada.

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